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Arquitetura, museografia e museologia em diálogo: Museu do Futebol e Museu do Amanhã
Última alteração: 2019-06-28
Resumo
O conceito de interatividade tem sido amplamente utilizado como premissa para a estruturação institucional de museus, sendo comumente introduzido no espaço museológico nas décadas recentes. A museografia interativa frequentemente aparece como alternativa para a apresentação de acervos formados a partir de bancos de dados digitais, participando ativamente da constituição de museus encarados como centros de referências e da criação das narrativas museais. O estudo pretende analisar a interatividade entendida como diálogo entre arquitetura, museografia e museologia, investigando sua relação com a concepção e recepção do espaço expositivo contemporâneo. Para tanto, possui como foco principal a análise do contexto brasileiro a partir dos casos de referência selecionados: Museu do Futebol (São Paulo, 2008) e Museu do Amanhã (Rio de Janeiro, 2015). Os casos escolhidos apresentam processos de projeto arquitetônicos distintos e exploram variabilidade temática associada à museografia interativa, possibilitando a análise de distintas formas de articulação espacial do discurso interativo. O Museu do Futebol, projetado pelo arquiteto Mauro Munhoz sob as arquibancadas do Estádio do Pacaembu, considera o futebol como agente formador da cultura brasileira, buscando a conformação do acervo museológico a partir da relação entre patrimônio imaterial e novas tecnologias da comunicação. Por sua vez, o Museu do Amanhã, do arquiteto Santiago Calatrava, é um museu de ciências que busca refletir sobre o futuro através do uso de novas tecnologias da comunicação, com ênfase no uso da museografia interativa para a apresentação e criação de acervos digitais. Do ponto de vista metodológico, para investigar a concepção de ambos os museus, utilizaram-se as seguintes fontes documentais: website, plano museológico, artigos em periódicos publicados sobre os temas e entrevistas com profissionais que desenvolveram os projetos. Por outro lado, para compreender a recepção dos casos pelo público, optou-se por mapear os fluxos de visitação a partir da metodologia de pesquisa conhecida como “tracking and timing”, além da execução de entrevistas não dirigidas com os visitantes do museu. A partir da análise proposta, pretende-se aprofundar o entendimento sobre a consolidação do campo da museografia interativa no Brasil, verificando suas implicações para o projeto de arquitetura de museus ao avaliar como se configura a relação entre acervos digitais, museografia interativa e arquitetura de museus. Busca-se refletir, desta maneira, em que medida as relações estabelecidas entre interatividade e arquitetura de museus oferecem novas possibilidades de democratização e inclusão social no espaço museal.
Palavras-chave
Interatividade; arquitetura de museus, design de exposições